Por que a precificação de empréstimos é uma questão de sustentabilidade

Conferência Nacional NALCAB 2026 · San Antonio, TX · 15 a 17 de setembro de 2026

NALCAB, a Associação Nacional de Construtores de Ativos Comunitários Latinos, é uma rede nacional de organizações de desenvolvimento comunitário que trabalham para construir riqueza e mobilidade econômica em comunidades latinas em todo o país. Todos os anos, sua Conferência Nacional reúne o setor de CDFIs para trocar experiências sobre esse trabalho. Na edição de 2026 em San Antonio, realizada de 15 a 17 de setembro, a COO da Ascendus Ana Hammock participou de um painel centrado em uma das perguntas contínuas mais difíceis do setor: como precificar um empréstimo para que ele seja acessível o suficiente para chegar a um empreendedor desassistido e sustentável o bastante para manter a instituição apta a atender o próximo. Ela participou do painel ao lado de Daniel Fernandez, da TMC Community Capital, e Sheri Flanigan-Vazquez, da Justine PETERSEN, com Brenda Lozano, da NALCAB, mediando, e Nelly Rojas-Moreno, CFO da NALCAB, também presente na sessão.

 

Uma decisão, não duas

A conversa do painel se concentrou em uma pergunta muito relevante para o setor de CDFIs neste momento: como manter a acessibilidade para os empreendedores atendidos por uma CDFI e, ao mesmo tempo, precificar produtos de crédito de um jeito que sustente a sustentabilidade financeira de longo prazo da instituição. Acessibilidade e sustentabilidade não são dois objetivos separados para colocar um contra o outro. Elas são uma única decisão de precificação.

A resposta começa por entender o custo real de conceder um empréstimo. Precificar abaixo do necessário traz risco real, mesmo quando a motivação é orientada pela missão. O preço precisa ser avaliado como uma única decisão, junto com o risco de crédito, o custo de capital, o custo operacional e as perdas esperadas.

O custo que aparece depois que o empréstimo é fechado

As CDFIs muitas vezes não calculam corretamente os custos dos empréstimos depois que eles são fechados: a “cauda” do empréstimo (o período de acompanhamento) é o que custa dinheiro para a instituição. Em um empréstimo a prazo, essa cauda pode durar de três a cinco anos. Em uma linha de crédito, pode durar indefinidamente. O valor da assistência técnica pós-empréstimo é alto: as CDFIs veem resultados comprovados ao oferecer uma TA forte e uma boa gestão de carteira. À medida que o governo federal se afastou do financiamento desse trabalho, a pergunta do painel foi direta: os preços que as CDFIs cobram hoje ainda conseguem bancar essa entrega.

 

Planejando para o cenário mais difícil

Diante da economia e da dificuldade que muitas CDFIs estão enfrentando para captar recursos com parceiros tradicionais, o painel teve uma discussão ativa sobre planejamento de cenários: quando uma CDFI começa a desenvolver um plano B, se o orçamento não estiver no caminho para empatar (break even) mantendo o rumo atual.

O que conecta a precificação abaixo do necessário, a “cauda” do servicing e o planejamento de cenários é a mesma disciplina: tratar o preço como uma única decisão tomada por completo, e não como três decisões separadas, tomadas sob pressão. Essa disciplina, mais do que qualquer número isolado, é o que mantém uma CDFI capaz de continuar dizendo sim para o próximo empreendedor.

Sempre Para Cima.

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