Quando Magaly Santiago entrou na Ascendus em 2001, a organização era uma equipe pequena que trabalhava a partir do Brooklyn. Ela começou no atendimento ao cliente e, na prática, nunca saiu. Quase 25 anos depois, ela lidera Finanças e Administração, participa do Comitê de Cultura e continua sendo uma das presenças mais constantes e que trazem estabilidade para a organização.
Neste Mês da História das Mulheres, conversamos com Magaly para ouvir sua história, com suas próprias palavras.
P: Como ser uma mulher latina influencia a forma como você lidera na Ascendus?
R: Entrei na organização em março de 2001, quando ela ainda era bem pequena, com apenas três ou quatro pessoas no Departamento de Serviços no Brooklyn. Surgiu uma oportunidade de ir para o departamento de contabilidade, e eu aceitei. Comecei como assistente de contabilidade e, com o tempo, meus conhecimentos, responsabilidades e escopo cresceram. Isso levou a uma promoção para gerente e, depois, para diretora — duas oportunidades pelas quais fui grata sob a liderança do Paul.
Minha trajetória pessoal moldou a forma como eu lidero. Sou mãe de dois filhos e sou mãe solo há muitos anos. Para mim, sempre foi sobre equilibrar trabalho e família. Quando comecei, às vezes eu precisava levar meu bebê para o escritório e trabalhar com ele no colo. Essa experiência me ensinou que a organização certa abre espaço para a vida real, porque, embora a família sempre venha em primeiro lugar, o trabalho continua sendo feito.
A Ascendus tem sido esse tipo de lugar. Sempre foi aberta às famílias e apoiou a diversidade, incluindo a representação hispânica na liderança. Nem toda organização oferece isso, e isso fez uma diferença significativa na minha trajetória.
Meu conselho para mulheres que querem crescer é simples: não fique parada. Esteja aberta a oportunidades. Comecei com programação de computadores nos anos 1980, passei para trabalho administrativo, me formei em recursos humanos e, por fim, construí minha carreira na contabilidade. Estar aberta a mudanças permite que você cresça de formas que talvez não espere.
Também incentivo as mulheres a dar um passo à frente e se tornarem visíveis. Faça voluntariado, participe de comitês, se posicione. Até uma hora por mês pode abrir portas. Isso ajuda você a conhecer mais sobre a organização, se conectar com outras pessoas e fazer sua voz ser ouvida.
Na Ascendus, eu participo de comitês não porque preciso, mas porque isso me ajuda a me manter conectada. No momento, por meio do Comitê de Cultura, estamos trabalhando para garantir que, à medida que crescemos, não percamos de vista nossas raízes. À medida que as organizações evoluem, elas podem se tornar mais corporativas e menos pessoais. É importante lembrar de onde viemos, por que estamos aqui e a quem servimos, para que ninguém fique para trás.
Também faço questão de falar nas reuniões com toda a equipe. Esses momentos importam. E-mails podem passar despercebidos, mas quando todo mundo está junto, a sua voz alcança a organização inteira. É uma oportunidade de contribuir, se conectar e ser ouvida.
P: O que a Ascendus te proporcionou ao longo desses mais de vinte anos?
R: A Ascendus me deu um lugar onde posso ser eu mesma. Me deu a oportunidade de compartilhar minha perspectiva, contribuir com meu conhecimento e até expressar minhas preocupações abertamente.
Ao mesmo tempo, me deu a chance de servir nossa comunidade. Quando apoiamos pequenos negócios, não estamos apenas ajudando os donos, estamos ajudando seus funcionários, suas famílias e seus fornecedores. Isso cria um efeito em cadeia. Tudo o que fazemos tem um impacto além do que vemos de imediato.
P: O que você espera ter deixado como mulher latina em uma posição de liderança?
R: Espero deixar um legado que seja lembrado.
Eu penso muito na Carmen, minha primeira gerente, que já faleceu. Foi ela quem me incentivou a ir para a contabilidade. Ela viu algo em mim antes de eu ver em mim mesma. A visão dela para mim era grande, e isso mudou meu caminho.
Espero que, por meio do meu trabalho — nas reuniões, nos comitês, nos processos que ajudei a construir entre os departamentos — eu tenha contribuído para tornar a organização mais forte.
Uma das minhas esperanças pessoais é ver a Ascendus crescer e se tornar uma organização internacional. Saber que eu fiz parte dessa jornada significaria muito para mim.
P: Qual é uma mensagem que você gostaria que toda pessoa da Ascendus levasse consigo?
R: Todos nós compartilhamos uma missão e uma visão, e cada um de nós tem um papel em torná-las realidade.
Uma organização é como um corpo: você pode ser os braços, os olhos, a voz ou os pés. Mas, se você parar de se mover, o corpo inteiro é afetado. Todos nós precisamos continuar engajados e ativos.
Também somos o rosto da organização, mesmo quando não estamos em funções de atendimento direto. Recentemente, ajudei um cliente que entrou em contato de forma inesperada porque o consultor de empréstimo dele não estava mais conosco. Naquele momento, eu representei a Ascendus.
Às vezes, sua função pode ser tão simples quanto carregar caixas, mas, mesmo assim, você representa a organização. Tudo o que você faz deve refletir nossos valores, nossa ética e nossa missão.
Nossos valores foram definidos anos atrás, mas ainda nos orientam hoje. É importante revisitá-los, refletir sobre eles e garantir que continuemos a viver de acordo com eles.